Contra o mau-olhado

O amuleto turco que protege contra mal-olhado está em todo o lado: azul, com a forma de um olho, está pendurado em vários lugares das casas, nos escritórios, hotéis, restaurantes, nos espelhos dos automóveis, nos carrinhos de bebé, nas rédeas dos cavalos. Brincos, pulseiras, colares, alfinetes, quadros, imãs para frigoríficos, autocolantes, são algumas das imensas aplicações do amuleto. Podem também aparecer estampados em cortinas, estofos, lenços …

O uso do amuleto, em língua turca, nazar boncuğu ( nazar significa mau-olhado, ou “olho do diabo” e boncuğu significa amuleto), defende a pessoa do mau-olhado. A crença de que a inveja de alguém, manifestada através do olhar, possa prejudicar uma pessoa não é exclusiva da Turquia, sendo uma superstição muito comum no sul da Ásia, na Arménia, no Irão e na generalidade dos povos mediterrânicos.

Alguns autores defendem que uma das origens desta crença reside no Egipto: quando Horus abriu os olhos, o mundo iluminou-se, quando os fechou, ficou encerrado nas trevas. Há também referências ao mal de inveja na Bíblia. Nas culturas de origem celta e nas culturas do norte da Europa, o mal de inveja e as respectivas pragas estão associadas a amuletos e rituais próprios. Na base do mau-olhado está a inveja da situação material, da saúde, da beleza, da sorte de alguém, e a superstição associa, desde tempos imemoriais, ao olhar o poder mágico de produzir efeito.

Independentemente da crença, aconselhamos a compra de amuletos. Sugerimos cuidado na escolha porque ultimamente têm aparecido olhos de plástico que nada têm a ver com os verdadeiros e genuínos olhos contra o mau-olhado, que devem ser em vidro nos diferentes tons de azul. A forma irregular é sinal de que o amuleto é feito por artesãos de uma das várias vidrarias turcas.
Mesmo que não acredite, coloque um amuleto na sua mala. Pode ser que diminua a probabilidade de extravio …


A prova de que a superstição do efeito do mau-olhado está presente nas várias culturas ao longo dos tempos reflecte-se nos termos usados. Assim, em inglês fala-se de “bad eye”, “the evil eye “ou “evil look”, em francês “mauvais oeil”, em alemão “bose blick”, em árabe, “ayin hasad”, em arménio “paternak”, em hebraico “ayin harac”, em irlandês, “droch-shuil”, em espanhol “mal de ojo”, em húngaro,” szemmel veres”, em polaco”oko proroko”, em brasileiro”olho gordo”, em grego “matiasma”, etc, etc, etc.

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