Tulipas estremecidas


Julgámos, desde sempre, que as tulipas eram holandesas mas a história testemunha que o seu cultivo se iniciou no império otomano. Produzir tulipas era uma actividade cara reservada aos mais ricos e poderosos e muito estimulada pelos sultões e grandes vizires. A presença das tulipas ficou registada em azulejos e nas decorações de livros, tecidos, jóias e é um tema recorrente na pintura tradicional ebru.


As primeiras tulipas teriam chegado a Istambul antes do século XV vindas da Turquia oriental e do Irão; consta que foram levadas para a Holanda no século XVII. Hoje, Istambul reclama ser a capital das tulipas e, desde, 2006 que a municipalidade organiza um festival dedicado a estas flores. Em Abril, cerca de três milhões de tulipas cobrem os jardins, parques e avenidas o que leva a quem visitou Istambul em Abril/Maio falar em “rios e mantas de cor” …


Um amigo, que sabe que temos pena de nunca termos estado em Istambul durante este período do ano, trouxe-nos três tulipas numa caixa. Acompanhámos o cor-de-rosa a mudar, a murchar. Estremecidas, as tulipas resistiram durante alguns dias fora do seu sítio. Achamos que as deveríamos ver no seu lugar, em Istambul. Porque não em Abril do próximo ano? Porque não?

Ao olhar estas tulipas de forma diferente – afinal tulipas iguais a tantas iguais – veio-nos à memória a novela “A Tulipa Negra” de Alexandre Dumas (pai). Procurámos o livro velhinho de tantas releituras adolescentes mas não o encontrámos. Soubemos numa busca virtual que permanece à venda uma edição de 1985 da Europa-América.
Numa sinopse recordámos os nomes dos bons – o botânico Van Baerle e Rosa – e o nome do vilão, Boxtel. A história de amor e aventura com traições e conspirações decorre na cidade holandesa de Haarlem na segunda metade do século XVII. Somos capazes de nos aventurar numa releitura.

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2 Comentários a “Tulipas estremecidas”

  1. antonieta diz:

    Belíssimo

  2. Mafalda diz:

    Adorei o vosso blog e serei leitora assidua.
    É muito interessante ler e sentir a perspectiva de outras pessoas sobre a mesma cidade quando esta se vive de maneiras diferentes mas mesmo assim com o mesmo encanto.
    Parabéns!

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