Quentes e boas!

As castanhas aparecem nas ruas de Istambul quando os ventos que sopram do Bósforo começam a esfriar. Como cá, as castanhas estão associadas ao Outono e ao Inverno e aparecem à venda nos carrinhos de toldo às riscas.

A preocupação na apresentação das castanhas é grande: estão alinhadas em fileiras e alguns vendedores até as organizam em figuras geométricas. O corte na casca é preciso, rigoroso, e a boca aberta das castanhas é quase igual. Não são vendidas à dúzia como cá, mas são pesadas: 100gr custam 4 liras, 150gr 5 liras e 300gr 10 liras.

À noite, o negócio não pára e, junto aos portos dos ferries, na Avenida Istiklal e nos cruzamentos mais movimentados, vendem-se castanhas. Para atrair a clientela, os vendedores iluminam o produto com candeeiros e com linhas de luzes a fazer lembrar o Natal.

Comprámos junto à Ponte Galata castanhas “quentes e boas”, já a noite ia avançada. À medida que íamos comendo, constatávamos que são diferentes das nossas: menos assadas, mais rijas, menos farinhentas. Achámos que as nossas são melhores talvez porque são assadas em lume vivo, talvez  por serem acompanhadas pelo pregão, eventualmente por serem mais toscas ou por nos deixarem os dedos sujos de fumo.

Depois de elencadas as razões (patrióticas?) que nos levavam a defender as nossas castanhas como mais quentes e melhores, deixamo-nos de tretas e fomos espreitar os pescadores na ponte.

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