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O Expresso Oriente

Domingo, 18 de Abril, 2010

A estação de Sirkeci é um lugar de visita obrigatória em Istambul, pela sua arquitectura e pelas memórias que evoca. A traça original do arquitecto August Jachmund mantém-se e os vitrais das suas vastas janelas e portas não perderam o brilho. Mas o que torna a estação um lugar especial no meio de tantos monumentos extraordinários da cidade é a sua associação ao famoso Expresso do Oriente.

Este comboio, propriedade da Companhia Internacional Wagons-Lits, ligava Paris a Istambul numa viagem que durava 80 horas para percorrer 3 094 Km. Na primeira viagem em 4 de Outubro de 1883, deixou a Gare de l’Est, Paris, rumo ao exotismo oriental. A Marcha Turca de Mozart assinalou a primeira partida de tantas viagens que terminaram com o fim da ligação em Maio de 1977.

Quando percorremos o cais onde continuam a chegar os comboios vindos da Europa e da cidade de Erdine, procurámos o ambiente de outros tempos. Mas, apesar do relógio Nacar, do sino que outrora dava o sinal de partida, dos bancos, das colunas, a modernidade das novas composições não permite devaneios. Tivemos de ir ao salão onde se guardavam as bagagens para retomar o tempo de outros tempos: o silêncio do sítio, a penumbra, as cores quentes dos vitrais, o chão brilhante… Um solitário leitor de jornal parece que ficou esquecido no tempo, nem dá conta da nossa presença.

O restaurante, que se chama “Expresso Oriente”, não é famoso pelas refeições que oferece mas não resistimos a sentarmo-nos numa das mesas por algum tempo. Decidimos tomar um chá acompanhado por breves biscoitos para convivermos com as memórias de tempos gloriosos em que acolheu celebridades que continuam a sorrir nas paredes.

Aqui, seguindo as fotografias e os cartazes da época, foi possível imaginarmos o comboio luxuoso que transportava gente habituada às finas porcelanas, aos copos de cristal, às toalhas de linho, às ementas elaboradas. Não é de estranhar que este ambiente requintado tenha servido de cenário para enredos de obras de escritores como Graham Green, Ian Fleming e Agatha Cristie. Sem dúvida que o romance desta autora “Crime no Expresso Oriente”, adaptado ao cinema em 1977 por Sidney Lumet, em muito contribuiu para a imagem mítica do célebre comboio. Não resistimos a inserir uma ligação para o trailer do filme e rever Albert Finney, Laureen Bacall, Ingrid Bergman, Anthony Perkins, Vanessa Redgrave e, entre outros, o comboio. AQUI.

Ficará para a próxima viagem a Istambul reencontrar a estação à noite, envolta em nevoeiro, e imaginar a chegada do Expresso do Oriente.

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