Arquivo do mês de Abril, 2011

Santa Sabedoria

Segunda-feira, 25 de Abril, 2011

Hagia Sophia/ Santa Sabedoria é um lugar com tantos lugares e tantos tempos que não chega uma visita. É actualmente um museu mas funcionou como igreja durante 916 anos e 481 como mesquita.
Não faz sentido fazermos a história do monumento: um guia sobre Istambul, publicações especializadas ou consultas na internet, cumprirão bem esse papel. São as sensações, as emoções, os sentimentos que o lugar nos provocou que queremos partilhar. Visitámo-la três vezes e só nos apropriámos de parte daquele espaço e de parte do seu espírito.

O impacto começa logo à entrada da porta imperial que nos abre um jogo de abóbadas, colunas, arcos por entre os quais se vislumbra o ouro dos ícones: a virgem Maria e o menino, imperadores, imperatrizes, o arcanjo Gabriel… Vertigem é o termo que se pode dizer da sensação que se experimenta quando no centro do monumento olhamos para cima. Respirar fundo será a melhor forma de resistir ao sufoco das alturas, ao impacto da arquitectura, ao olhar fixo das figuras.

Na última visita, detivemo-nos a explorar outros modos de ver Hagia Sophia deambulando pelas naves laterais, percorrendo as galerias superiores. A rampa de acesso é feita de pedras ocres polidas por milhões de passos. Este caminho, iluminado por pequenas janelas, dá-nos a dimensão do tempo e de uma parte significativa da história da humanidade.


Nos átrios das galerias superiores, o olhar é requisitado pelos mármores do chão em que as fissuras feitas pelo tempo escrevem histórias que não conseguimos adivinhar. É das galerias que se abordam de outro modo as colunas, as cúpulas, os painéis, as luminárias.

São os sítios menos visitados, os ângulos mais escondidos, que nos permitem uma aproximação mais íntima ao lugar afastando-nos das imagens e dos conteúdos das reportagens escritas em todas as línguas.
Percebemos que três visitas não chegam para explorar Hagia Sophia.
Manda a sabedoria, mesmo a que não é santa, que regressemos um dia destes.

Mosaicos de vida

Sábado, 16 de Abril, 2011

Por não usarmos guias de viagem de forma regular, descobrimos lugares pouco visitados, perdemo-nos ganhando novos sítios, mas muitas vezes falhamos espaços e acontecimentos.
Foi o que se passou com o Museu do Mosaico nas nossas primeiras visitas à cidade. Como acontece com tantas preciosidades de Istambul que mal se fazem notar, passámos várias vezes sem identificarmos ao Museu do Mosaico do Grande Palácio que fica “dentro” do Arasta Bazar, a sul da Mesquita Azul.

Vale a pena uma visita ao museu que foi construído para albergar os mosaicos em bom estado do Grande Palácio do Império Bizantino e que datam de 450 a 500 AC. Nas cenas representadas, estão ausentes os temas religiosos, sendo a natureza, a vida do dia a dia, o que as pedrinhas coloridas testemunham: uma criança que guia gansos, um leão a atacar um elefante, um homem a ordenhar uma cabra, um caçador a matar um tigre, um urso a comer uma maçã, um camelo a transportar crianças, etc. Às vezes parece que estamos perante pinturas a óleo.

As obras de reconstrução do museu terminaram em 1997, sendo um lugar que merece bem uma visita.

O Museu do Mosaico está aberto todos os dias, excepto à 2ª feira, das 09:30 -17:00.

De eléctrico e a pé …

Segunda-feira, 11 de Abril, 2011

Não se pode ir a Istambul sem percorrer várias vezes de eléctrico e a pé, a Istiklâl Caddesi, a Avenida da Liberdade,. Porquê? Porque é uma grande avenida que mostra os diferentes lados de Istambul, o sítio onde convivem o antigo e o moderno, as lojas das grandes marcas internacionais e o comércio tradicional. É um lugar onde de dia e até altas horas da noite circulam milhares de pessoas de todas as idades, sobretudo jovens, muitos jovens.

Mas comecemos por nos situar: Istiklâl liga a zona da Torre Galata com a grande praça Taksim. Durante o Império Otomano a Grande Avenida (Cadesi Kebir) era o lugar escolhido pelos intelectuais e pelos estrangeiros que mantinham negócios na cidade, associando-a às grandes artérias de Paris. Hoje, é um lugar incontornável da cidade sendo considerada por muitos o lugar mais cosmopolita da Turquia.


O que se faz na Istiklâl? Passeia-se no meio de uma verdadeira multidão, um mar de gente que relaxadamente conversa, pára a ver as montras, lê nas esplanadas … Para além das lojas onde tudo se vende, dos bancos e sedes de grandes empresas o que mais atrai nesta avenida são as livrarias, as galerias de arte, os cafés, os restaurantes e as confeitarias onde brilham as doces baklava e lokuns. Os tradicionais carrinhos de toldos às riscas vermelhas e brancas vendem castanhas assadas na hora e o célebre simit, o pão com sementes de sésamo. Os edifícios do século XIX merecem que levantemos os olhos e apreciemos as molduras das janelas, as varandas, os beirais dos telhados.

É uma avenida para peões onde só circula o eléctrico vermelho: não se pode perder a curta viagem entre os topos da avenida, de preferência junto do condutor. É uma forma diferente de ver os edifícios e a multidão que mansamente se afasta para deixar passar o eléctrico. Voltaremos, um dia destes à Istiklâl Caddesi porque é um mundo que não cabe num post.

Festival de Cinema de Istambul

Quarta-feira, 6 de Abril, 2011

Durante duas semanas realiza-se o 30º Festival de Cinema de Istambul. Em sete salas distribuídas pela cidade há a oportunidade de ver 231 filmes, 50 dos quais são turcos.

Os organizadores dividiram os filmes em 21 temáticas de entre as quais se destacam “Os Direitos Humanos”, “Documentários”, “Jovens realizadores” e um ciclo intitulado “30 anos de cinema”. De entre os filmes turcos a exibir estão “Do Not Forget Me Istanbul” (constituído por seis peças realizadas por seis realizadores), ‘‘Love in Istanbul” (retoma histórias de amor vividas ao longo de séculos nos diferentes impérios) e o documentário de Erden Kiral, “Halic Golden Horn”.

O programa que se prolonga até ao dia 17 de Abril pode ser consultado AQUI