Arte Contemporânea em Istambul

21 de Novembro, 2011

Cecilia-Paredes, Siren-in-the-sea-of-roses, 2011,Arthobler-Gallery,Oporto, Portugal

Entre os dias 24 e 27 de Novembro realiza-se em Istambul uma grande exposição de arte contemporânea onde estarão presentes cerca de 90 galerias de vinte países com trabalhos de pintura, escultura, vídeo, fotografia, instalações…

Os números impressionam: serão exibidos cerca de 3 000 trabalhos da autoria de 526 autores prevendo-se que a exposição seja visitada por mais de 60 000 pessoas e por cerca de 1 000 coleccionadores.

Portugal marcará presença através da Galeria ArtHobler do Porto que exporá trabalhos de Carlos No, Cecília Paredes (autora da primeira imagem deste post), Jakub NepraŠ, Josef Bolf, Robert Schad, Rómulo Celdrán e Sabhan Adam.

Informações sobre este evento podem ser consultadas AQUI

 

Istambul a preto e branco

13 de Novembro, 2011

Regressámos a Istambul e como acompanhávamos um grupo de novos visitantes repetimos visitas aos lugares incontornáveis da cidade: Hagia Sofia, Mesquita Azul, Hipódromo, Torre Galata, Estação Sirkeci, Grande Bazar, Bazar Egípcio, os cemitérios … A revisitação leva a que se vejam as mesmas coisas de outro modo e se descubram outros olhares e outros sentidos. Desta vez, demos uma cor (o preto e branco) e usámos um outro meio (o Iphone) para registar os lugares bem conhecidos. Aqui ficam algumas dessas notas visuais.

Quentes e boas!

29 de Outubro, 2011

As castanhas aparecem nas ruas de Istambul quando os ventos que sopram do Bósforo começam a esfriar. Como cá, as castanhas estão associadas ao Outono e ao Inverno e aparecem à venda nos carrinhos de toldo às riscas.

A preocupação na apresentação das castanhas é grande: estão alinhadas em fileiras e alguns vendedores até as organizam em figuras geométricas. O corte na casca é preciso, rigoroso, e a boca aberta das castanhas é quase igual. Não são vendidas à dúzia como cá, mas são pesadas: 100gr custam 4 liras, 150gr 5 liras e 300gr 10 liras.

À noite, o negócio não pára e, junto aos portos dos ferries, na Avenida Istiklal e nos cruzamentos mais movimentados, vendem-se castanhas. Para atrair a clientela, os vendedores iluminam o produto com candeeiros e com linhas de luzes a fazer lembrar o Natal.

Comprámos junto à Ponte Galata castanhas “quentes e boas”, já a noite ia avançada. À medida que íamos comendo, constatávamos que são diferentes das nossas: menos assadas, mais rijas, menos farinhentas. Achámos que as nossas são melhores talvez porque são assadas em lume vivo, talvez  por serem acompanhadas pelo pregão, eventualmente por serem mais toscas ou por nos deixarem os dedos sujos de fumo.

Depois de elencadas as razões (patrióticas?) que nos levavam a defender as nossas castanhas como mais quentes e melhores, deixamo-nos de tretas e fomos espreitar os pescadores na ponte.

As janelas de Istambul 3

2 de Outubro, 2011

As melhores janelas de Istambul são as que se abrem sobre o Bósforo ou sobre o mar de Marmara.

Um hotel com um terraço voltado para um dos espelhos de água da cidade … é um bom hotel!

As “yalis” são mansões do período otomano situadas nas margens do Bósforo onde os mais ricos passavam as férias de Verão. Muitas estão muito  degradadas mas outras mantêm a beleza de então.

Voltaremos ao Bósforo um dia destes a propósito das  “yalis” e de uma demanda até às portas do Mar Negro.

As janelas de Istambul 2

25 de Setembro, 2011

 

Em Istambul, como em todas as cidades, há janelas anónimas e janelas famosas…

Janela do restaurante Expresso do Oriente na estação Sirkeci

 

Janela do Café Pierre Loti

 

Janela do restaurante do Museu Istambul Modern

 

Janela do “Museu da Inocência”

 

As janelas de Istambul 1

14 de Setembro, 2011

Há muitas janelas nos edifícios em Istambul o que nos causa relativa surpresa.  Geralmente, é nos países do Norte que há mais janelas para se aproveitar a luz do sol que escasseia. Aqui, as paredes estão literalmente interrompidas pelas pequenas portas que são as janelas (januellam, diminutivo de janua/porta).

Estas interrupções das fachadas dos edifícios dizem muito sobre um lugar: o seu formato e tamanho, os motivos decorativos, os vasos de flores, os estendais, as cortinas. E há as janelas com estilo e as outras, há janelas famosas e janelas anónimas. Nas janelas as pessoas sacodem roupa, estendem panos ou estão simplesmente a olhar quem passa. Mas as janelas são também dos gatos que nos parapeitos dormem, descansam ou vigiam a rua.

Propomos que nos próximos posts se ponham à janela das janelas de Istambul!

Vamos a Istambul?

2 de Setembro, 2011

Desde que iniciamos este blog sobre Istambul, repetem-se os pedidos de sugestões para visitar a cidade. Um amigo, que para além de fotógrafo organiza expedições fotográficas a várias partes do mundo (Fotoadrenalina), lançou-nos o desafio: desenhar um itinerário que permitisse conhecer o que é essencial numa primeira visita a Istambul. Partilhamos neste espaço o essencial do programa que se concretizará de 1 a 6 de Novembro e que pode ser útil a qualquer leitor que em qualquer altura do ano decida ir a Istambul.

Deambulando …

Sugerimos a escolha de um dos muitos hotéis em Sultanhamet que são geralmente edifícios otomanos reconstruídos. Têm várias vantagens: ficam perto de espaços de visita obrigatória – Mesquita Azul, Hagia Sophia , Hipódromo – a alguns minutos das margens do Mar da Marmara, da ponte Galata, etc. Começar a exploração cidade pela vizinhança do hotel é sugestão de bom senso. Fica também na zona a Cisterna Yerabatan, também conhecida por Palácio Subterrâneo que espanta os nossos olhos na sua obscuridade e beleza.

Atravessar a ponte Galata vale por si para observar e fotografar os pescadores que obsessivamente pescam dia e noite, o movimento dos barcos no Bósforo, o horizonte da cidade das duas bandas.

O Grande Palácio Topkapi, o mais fascinante monumento de arquitectura civil otomana, faz parte do roteiro clássico: fazer o mesmo percurso dos sultões e da sua corte e compreenderemos melhor o modo de vida da cidade de então é um desafio.

Os cemitérios de Istambul serão também lugares de visita por serem espaços de forte manifestação estética e por proporcionarem boas sugestões fotográficas.  Sobrevoar de teleférico a “colina dos mortos” conduz-nos ao café de Pierre Loti onde com um chá de menta se pode recordar o francês apaixonado pela cidade e usufruir uma das melhores vistas de Istambul. Sugere-se a descida a pé por áleas ladeadas de ciprestes e no sopé percorrer as zonas públicas do complexo religioso da Mesquita Eyup, que é considerado depois de Meca e de Jerusalém o lugar mais sagrado da religião islâmica.

Ao entardecer

A Torre Galata domina uma das colinas de Istambul e permite uma visão de 360º da cidade. è uma experiência a não perder, subir ao seu topo ao fim de tarde para se usufruir das cores do entardecer e do chamamento dos muezzin à oração que ecoa das dezenas de mesquitas. É nesta zona que começa a célebre avenida Istiklal, cheia de vida e onde lojas de grandes marcas e do comércio tradicional convivem harmoniosamente. Livrarias de referência, galerias de arte, cafés e restaurantes fazem de uma via só para peões, atravessada diariamente por milhares e milhares de pessoas um lugar único.

Bazares

O comércio é a actividade central de Istambul e vende-se tudo em todos os lugares, mas os bazares são os seus espaços de excelência. O Grande Bazar, o Bazar das Especiarias merecem que nos percamos pelas suas ruas cobertas onde as mercadorias, as pessoas e a arquitectura constituem um mundo de propostas para compras e fotografias. Na zona da Mesquita Azul, vale a pena percorrer o Arasta Bazar, o único bazar descoberto de Istambul e aí, também fazer uma visita ao Museu do Mosaico que apesar de pequeno celebra a vida nos puzzles de pequenas pedras coloridas.

Experiências exclusivas

Sugerimos duas experiências que só podem ser usufruídas com plenitude nesta cidade: assistir à exibição dos dervishes num dos espaços de referência e experimentar o autêntico banho turco no hamam Cemberlitas um verdadeiro monumento da autoria do arquitecto Sinan. No hamam está fora de questão a fotografia mas a experiência fica de certeza registada para sempre nas nossas memórias!

Experiências gastronómicas

A gastronomia turca pertence à grande família da cozinha mediterrânica em que dominam os vegetais cozinhados das mais diversas maneiras, as saladas e os célebres meze – entradas variadas que constituem uma verdadeira refeição. O kebab está disponível em pequenos restaurantes e é uma boa solução para um almoço rápido e equilibrado. Irresistíveis são os sumos de laranja e de romã feitos na hora nas várias bancas de rua, bem como o pão – simit – polvilhado com sementes de sésamo e que se vende em pequenos carrinhos de toldos às riscas vermelhas e brancas. Quanto aos doces – baclava e lokum – estão por todo o lado, mas justifica-se uma peregrinação à afamada confeitaria na Avenida Istiklal. O café turco, e os deliciosos chás de romã e maçã são bons acompanhantes destes doces, mas valem por si!

Navegando no Mar de Marmara

Viajar num ferry é uma experiência indispensável para se fotografar o perfil da cidade, os diferentes pontos de embarque, as gaivotas que acompanham as embarcações e os vapur que atravessam o Bósforo. Vale a pena apanhar um ferry para entrar na zona asiática da cidade, em Kadikoy, e explorar as ruas estreitas. É de aproveitar a oportunidade para almoçar num dos restaurantes de um dos mais afamados chefes de cozinha do mundo, o turco Musa Dagdeverin.

Para além de tudo …

Há muito, muito que ver em Istambul: ao virar de uma esquina encontramos uma fonte de mármore desactivada (e tantas vezes maltratada), edifícios clássicos com as janelas decoradas com florões, atentamos em pormenores simples como uma torneira ou um marco carregados de História numa cidade que convive com um passado que não está (ainda!) museificado.

Mas talvez o maior estímulo na visita a Istambul seja partilhar o quotidiano dos seus habitantes nas ruas, nos mercados, nos ferries, nos passeios calmos nas margens do Bósforo, nos pátios das mesquitas …

Boa viagem!

Istambul, a cidade de muitos nomes

17 de Agosto, 2011

 

Istambul já se chamou Bizâncio e já foi Constantinopla. A mudança de nome corresponde a etapas políticas e sociais. Comecemos, então, pelo princípio: Bizâncio, a primeira designação da cidade fundada em 667 a.C, tem origem no nome do rei dos primeiros colonos, Bizas. Em 330, o imperador Constantino designa-a a capital oriental do império romano, dando-lhe o nome de Nova Roma, mas acabou por ser mais conhecida por Constantinopla, a cidade de Constantino, passando a ser esse o nome oficial por determinação de Teodósio II.

O nome Istambul, que derivará do termo grego “para a Cidade” ou “na Cidade” (em grego antigo εἰς τήν Πόλιν, (i)stimboli(n)), era usado desde o século X, mas só passa a assumir oficialmente esta designação na década de 30 do século XX, no âmbito da reestruturação postal integrada nas grandes reformas levadas a cabo por Ataturk.

Muito haveria a escrever sobre os inúmeros epítetos atribuídos à cidade, como, por exemplo, a “Entrada para a Felicidade”, o “Olho do Mundo”, a “Casa do Estado”, o “Refúgio do Universo”, a “Polis” ou, simplesmente, “a Cidade” …mas preferimos passar AQUI a divertida canção “Istanbul (Not Constantinople)”, na versão dos “Four Lads”( 1953)  num espectáculo de 2004.  Os 4 Lads estão velhinhos mas a versão da canção mantém a mesma frescura e graça.

O original bem swingado é de finais da década de 20, em que Bing Crosby canta com Ella Fitzgerald e Peggy Lee (vale a pena uma visita AQUI).  Caterina Valente canta uma versão bem jazzística da música de Nat Simon e letra de Jimmy Kennedy. A ouvir também AQUI e … acreditem que vale a pena ouvir mais versões numa pesquisa pelo Youtube!

 

Istambul é uma cidade segura?

6 de Agosto, 2011

Uma das questões que um viajante coloca sempre é se o lugar para onde viaja é seguro. Preocupa-se sobretudo quando se trata de uma grande cidade ou se o destino se enquadra numa cultura diferente da sua. Assim, é natural que uma das perguntas que nos colocam frequentemente seja: “Istambul é uma cidade segura?” A resposta imediata que damos é que é! E aqui importa distinguir segurança de sentimento de segurança. Acontece que vários estudos apontam que é frequente o sentimento de insegurança dos habitantes de uma cidade ser desproporcionado se relacionado com os índices de criminalidade efectivos dessa cidade.

Sobre Istambul, a informação que colhemos nos guias impressos, em testemunhos de habitantes da cidade, turistas e em relatórios de várias origens, é que se trata uma cidade segura com baixos níveis de criminalidade e agressividade. Pessoalmente, o que podemos testemunhar, é que partilhámos sempre de um real sentimento de segurança e conforto sempre que nos deslocámos na cidade. Saímos sempre à noite, percorrendo muitas vezes estreitas ruas secundárias com pouco movimento e nunca experimentámos o sentimento de medo, nem sequer receio, apesar de andarmos sempre com o material fotográfico. Claro que nos sítios com uma maior concentração de pessoas como, por exemplo, nos bazares e em Istiklal justifica-se o cuidado normal com as carteiras para não tentarmos eventuais carteiristas.

Fomos levadinhos!

Não vem a propósito do tema mas não resistimos a contar como fomos levadinhos pelo conto do vigário: um turco com cerca de 30 anos veio ter connosco quando passeávamos em Istiklal e pediu-nos para trocarmos euros (moedas) por notas dado que os bancos não trocam moedas. É um pedido frequente feito por guias ou outras pessoas ligadas ao turismo em países fora da zona euro que recebem gorjetas em moedas. Como íamos com pressa, negámos o pedido. Quando estávamos diante da fachada da Igreja de Santo António, o mesmo indivíduo acompanhado de um outro voltou a fazer o pedido com mais veemência. Como temos coração mole e achávamos a solicitação legítima, dispusemo-nos a trocar uma nota de 20 € por moedas que foram contadas e recontadas à nossa frente. Perguntaram-nos se não queríamos conferir … nem pensar porque as contas estavam evidentemente bem feitas. Como agradecimento, ofereceram-nos um guia da cidade o que nos deu muita satisfação!

Bom, a maior parte das moedas eram turcas (muito semelhantes a 2 € mas de valor muito inferior) e portanto, fomos levadinhos com todo o profissionalismo. Relevamos o incidente, considerando que o espectáculo malabarista tinha valido a pena apesar de carote. Aqui fica o conselho: não troquem moedas de euro por notas, sobretudo sob o olhar de Santo António: afinal, ele é o padroeiro dos comerciantes e os dois turcos fizeram um bom negócio!

O azul levou-nos a uma casa da música

27 de Julho, 2011

Os estímulos na Avenida Istiklal são tantos e tão fortes pela sua diversidade que pode acontecer passarmos ao lado de um lugar que nos poderia interessar. Foi o que aconteceu na véspera da nossa partida, quando fomos dar o último passeio depois do jantar.

Um feixe de luz “azul eléctrico” projectado no empredado do chão chamou-nos a atenção para um espaço, branco, amplo, onde sobressaiam portas emolduradas a néon de várias cores. A instalação interior não feria o classicismo do edifício de 1875  provando que é possível compatibilizar harmoniosamente o património do passado com a tecnologia e expressões estéticas contemporâneas.

Na vidraça lia-se Borusan Musik House e soubemos através de uma brochura e da conversa com a recepcionista que este espaço, inaugurado em Abril de 2009, faz parte de um projecto mais amplo (Borusan Culture and Arts, promovido por uma empresa ligada à energia, à produção de aço e à distribuição).

Para além do átrio, onde se realizam exposições, os dois pisos seguintes têm salas com capacidade para 200 pessoas onde se produzem concertos . Nos restantes andares organizam-se as mais variadas actividades artísticas.

O programa propõe não só espectáculos musicais mas também a formação através de workshops, seminários, conferências, etc. Apesar de pequena, a sala de espectáculos acolhe dezenas de acontecimentos musicais que vão desde concertos clássicos com representantes do que de melhor se faz no mundo a concertos e performances de música contemporânea de várias correntes e estilos. A dança também faz parte do programa da casa.

Da próxima vez, não perderemos um espectáculo e tentaremos subir ao terraço que pela situação promete uma soberba vista de Istambul. À cautela, aqui fica o endereço: Istiklal Caddesi, 160 e a página Web pode ser consultada AQUI