Arquivo do mês de Janeiro, 2010

Torre Galata

Terça-feira, 26 de Janeiro, 2010

Um dos primeiros sítios a visitar é a Torre Galata pois permite apercebermo-nos da geografia particular de Istambul. É uma torre de pedra com quase 70 metros de altura com paredes de 3.75 m de espessura que foi construída em 1348 sendo na época o edifício mais alto da cidade.

A vista panorâmica que se tem é única: a ponte Galata, o Palácio Topkapi, a mesquita Sultan Ahmed (mesquita azul), Hagia Sophia, o mar da Mármara, a coluna de Constantino, o Bósforo …

Qualquer hora do dia é boa para se  subir ao topo da torre embora a hora do meio dia não seja a mais aconselhável para a fotografia. Aconselhamos vivamente o entardecer porque se pode acompanhar a mudança da cidade do dia para a noite. Ouvimos os chamamentos à oração quando estávamos no topo da torre: o encadeamento dos cânticos de dezenas de muezzins, das dezenas de mesquitas da cidade chegou a provocar arrepios pela estranheza do som, pelo lugar, pela hora do dia, pela cidade que ia escurecendo. Este ambiente fez-nos esquecer a fotografia e as máquinas ficaram muitas vezes em cima do parapeito. Só percebemos isso depois. Temos de voltar.

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O que dizem de Istambul 1

Sexta-feira, 22 de Janeiro, 2010

” Istambul pode não ser a cidade mais magnífica do mundo, mas é de certeza a mais magnificamente situada”. (S. Kinzer)

“Chegar a Constantinopla numa bela manhã, é, acreditem, um momento inesquecível da vida de uma pessoa”. (A. L. Croutier)

[Istambul] Balança entre o passado e o futuro, o cosmopolitismo e o nacionalismo, a memória e a amnésia – uma cidade em dois continentes, entre a Europa e a Ásia”. (A. Grossbongardt)

“A marginal, ao lado do Mar de Mármara, está cheia de árvores, há ruelas para os joggers, e por todos os lados se vêem parques infantis. O trânsito é infernal, mas as bermas das ruas estão tratadas e os passeios limpos. Onde as vias sujas que imaginara? Onde os becos imundos? Onde os cães escanzelados? Afinal, do ponto de vista sanitário, o Oriente não era tão mau quanto supusera.” (Filomena Mónica)

Delícias turcas 2

Quinta-feira, 21 de Janeiro, 2010

Lokum

A palavra Lokum é usada para designar o que podemos traduzir por “doces turcos”. Na sua origem etimológica a palavra quer dizer “satisfação da garganta” com certeza pelo facto de serem muito doces e se desfazerem com facilidade na boca.

Há notícia que são fabricadas em Istambul desde o século XVI quando o mel e o melaço eram usados como adoçantes e vendidos em pequenos blocos produzidos com água e farinha. O açúcar ainda não tinha chegado, então, à Turquia o que só viria a acontecer no fim do século XVIII.

Os lokum são os doces mais fotogénicos pois são brilhantes e de cores diversas. Na base da sua confecção está o amido, água, mel, açúcar e os ingredientes que fazem variar a cor e o sabor: pistácio, canela, café, laranja, cereja, damasco, maçã, cravinho … Alguns incluem frutos secos. Tal como as baklava é na loja Haci Bekir que se encontram os lokum mais saborosos. Vendem-se em caixas de papelão e conservam-se durante cerca de uma semana.

Numa das visitas que fizemos a uma mesquita fomos abordados por duas mulheres que distribuíam ladrilhos de lokum às pessoas que iam saindo talvez para fornecer energia aos crentes depois da oração. Eram lokum simples sem sabor especial. Durante razoáveis minutos, uma textura macia que se ia lentamente desfazendo passeou-se na boca. As gargantas ficaram satisfeitas.

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Delícias turcas 1

Terça-feira, 19 de Janeiro, 2010

Baklav

Nas ruas de Istambul o olhar perde-se obrigatoriamente nas montras das confeitarias onde geometricamente alinhadas estão as baklava, um dos deliciosos pastéis turcos que são também muito populares na Albânia, Irão, Afeganistão, Arménia,  Grécia e no norte de África. Teriam origem num doce assírio do século VIII , trazidos para a Anatólia pelos romanos.

As baklava turcas são conhecidas pela finura da sua massa que as torna levemente crocantes mesmo depois de  banhadas por um xarope de açúcar aromatizado. E é esta conjugação de leveza e densidade que as torna uma verdadeira experiência gastronómica. Para se conseguir uma massa fina como uma folha é preciso perícia que segundo os entendidos pode levar 7 anos  a conquistar!

Vale a pena ver o video

http://www.youtube.com/watch?v=zpqzXZEXqRM em que Mamalakis, um comentador gastronómico grego acompanha e comenta a produção de baklava na mítica Güllüoğlu. Não se percebe nada mas o homem é um comunicador fantástico! As folhas de massa são tão finas que ele exibe um teatro de sombras por detrás de uma massa quase transparente. Aconselhamos vivamente o visionamento e se tiverem coragem experimentem a receita em casa.

Uma coisa é certa: as baklava  são um autêntico shot de açúcar a fazer lembrar os quindins de coco brasileiros, o pudim abade de Priscos do Minho e as não menos minhotas tortas de Guimarães … A combinação dos sabores e texturas é única.

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Café turco

Domingo, 17 de Janeiro, 2010

O café turco é uma experiência a não perder. Somos grandes apreciadores de café e sofremos quando viajamos porque o nosso café é mesmo bom.

Para se fazer um café à turca (tipo arábica), o café tem de ser moído muito fino e ferver três vezes num recipiente próprio – “cezve”. Depois de servido nas chávenas, deve-se esperar que a borra assente; uma espuma espessa forma-se na superfície e o aroma é intenso. É muitas vezes servido com especiarias sendo a mais usada a semente do cardamomo, que recomendamos.

Foi por acaso que encontrámos perto de uma das portas de saída do Mercado da Especiarias uma loja que vende o café Mehmet Efendi, nome do comerciante que em finais do século XIX torrava os grãos de café e vendia-o já moído finamente para ser feito em casa. Três empregados, vestidos de bata castanha, servem em linha os clientes: um mete o café nos pacotes, outro fecha-o e finalmente o terceiro entrega-o aos clientes que fazem fila junto à parede da loja. Nem precisam de trocar qualquer palavra.

Admitimos que traímos algumas vezes o café turco indo matar saudades do nosso expresso a um Starbucks. Mas em Istambul, há que degustar um café diferente.

Istambul Memórias de uma Cidade 1

Sexta-feira, 15 de Janeiro, 2010

O livro de Orhan Pamuk começa assim:

Desde a minha infância, e durante muitos anos, sempre tive um cantinho da cabeça a ideia de que existia, algures nas ruas de Istambul, um outro Orhan que era igual  a mim, meu gémeo ou mesmo meu duplo. Não consigo recordar-me donde me veio ou me nasceu esta impressão.”

Três linhas abaixo, a fotografia de Pamuk com cinco anos. Uma ampla fotografia da cidade, a preto e branco, ocupa o topo das duas páginas seguintes. Está assim dado o tom: o livro ao longo das 362 páginas misturará a vida do escritor com a vida da cidade, a procura da sua identidade pessoal e a identidade de Istambul.

Deixamos aqui alguns títulos do índice: “Eu”; A descoberta do Bósforo; O meu pai, a minha mãe e a ausência de ambos; A minha avó paterna; A religião; O périplo melancólico de Gautier pelos subúrbios; O fumo dos barcos a vapor no Bósforo; Primeiro amor…

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Pamuk um guia indispensável

Quarta-feira, 13 de Janeiro, 2010


Antes de uma viagem, procuramos conhecer alguma coisa sobre o sítio para onde vamos. Os nossos guias preferidos são os da Lonely Planet porque nos têm dado informações muito oportunas e rigorosas. Mas nesta ida a  Istambul tivemos um guia muito particular: o livro Istambul Memórias de uma Cidade de Orhan Pamuk, prémio Nobel da Literatura de 2006. Assumimos a afirmação: não se pode ir a Istambul sem ter lido o livro que abre com a citaçãoA beleza de uma paisagem reside na sua tristeza” (Ahmet Rasim)

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Istambul, capital europeia da cultura

Terça-feira, 12 de Janeiro, 2010

Foi  no dia 16 de Janeiro que se iniciou oficialmente o programa de Istambul, capital europeia da cultura (Essen na Alemanha e Pécs na Hungria são também capitais europeias da cultura em 2010). O tema central das celebrações é “A Cidade dos Quatro Elementos” – água, fogo, ar e terra.

Desde Agosto já se realizou um conjunto importante de intervenções em várias áreas artísticas e sociais. Destacamos um projecto sobre o papel da mulher no passado e no presente da Turquia que se concretiza em 36 conferências e painéis bem como publicações e exposições. O projecto teve início em 5 de Setembro e termina a 25 de Dezembro de 2010.

Sugerimos a consulta do programa geral em:

http://www.en.istanbul2010.org/index.htm.

Não faltarão motivos extra para se viajar até Istambul.



Os fontanários

Segunda-feira, 11 de Janeiro, 2010

Os fontanários dão pena, parados, quietos sem águas, sem saída. Rua sim, rua não, encontrámos fontes, brancas de origem, acinzentadas pelo tempo. Não sabemos o que lhes aconteceu, talvez deixassem de ser úteis por via da água canalizada. Mesmo assim, caladas, secas, permanecem.

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Muezzin

Domingo, 10 de Janeiro, 2010


Apesar de avisados, foi com sobressalto que acordámos às cinco da manhã com o chamamento à oração (adhan) do muezzin da mesquita anónima que ficava bem perto do hotel. Tínhamo-nos esquecido de fechar uma janela e a presença do muezzin era mesmo muito, muito próxima.

Cinco vezes por dia os crentes são chamados à oração diária (salat) pelos muezzin. Em grande parte das mesquitas os amplificadores de som nos minaretes ajudam aqueles que têm por função lembrar que é tempo de rezar.

No penúltimo dia da nossa viagem a Istambul, subimos à torre Galata durante um rápido entardecer. Subitamente, quando as luzes da cidade se começavam a acender, desencadeia-se um simultâneo chamamento dos muezzin das centenas de mesquitas dos dois lados da cidade. Não há fotografia nem texto que registe o impacto desse coro estranho e hipnótico para os nossos ouvidos. A nossa companheira de viagem, Teresa Lopes, registou no gravador do telemóvel o chamamento do “nosso” muezzin na última manhã da nossa viagem. Aí fica o som para provarem.

Ouvir o muezzin todas as madrugadas, lembrava-nos que estávamos muito longe de casa. E era bom.

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