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Os pescadores de Istambul

Segunda-feira, 26 de Dezembro, 2011

Sempre admiramos os pescadores que passam horas e horas agarrados à cana de pesca com os olhos postos num eventual movimento denunciador da presença de peixe. Nunca ousamos falar com nenhum com receio de interromper o que parecem ser profundas reflexões sobre o mundo, a vida e sabe-se lá que mais.

Achamos os pescadores de Istambul especiais, porque são muitos, mesmo muitos, ao longo das vastas margens do Bósforo e do Mar de Mármara, e não é exagero dizer-se que fazem parte da paisagem da cidade. Vimos, na ponte Galata, talvez a maior concentração de pescadores por centímetro quadrado: de dia e de noite, a ponte está cheia de pescadores, muitos dos quais controlam mais do que uma cana.

O calor intenso do Verão, a chuva e a neve de Inverno, não esmorecem a militância da pesca. Cobrem-se de plástico quando a chuva é intensa e, nas noites geladas, levam aquecedores a gás que partilham. Aliás, deve ser a única coisa que dividem entre si porque a sabedoria, a arte, é de cada qual …

O silencio é aqui mesmo de ouro e até os vendedores de milho assado, simit, doces e frituras se aproximam suavemente, comunicando por gestos não vá o peixe espantar-se. O barulho dos carros, dos ferries e dos barcos que cruzam a ponte por cima e por baixo, não conta, parecendo não perturbar nem pescadores nem pescaria. A saída de peixe é frequente e dá gosto ver no fio dançarino um peixe que num ápice aterra em baldes cheios de água.

Confessamos que somos mirones interessados em pescadores, sobretudo os de Istambul e, muito especialmente, os que pescam no tabuleiro da ponte que une as margens separadas por um braço do Bósforo. Percorrer a ponte Galata de dia e de noite vale pela paisagem que se desfruta e vale muito também pelos pescadores que a habitam.