O café Pierre Loti

Sobrevoar a colina de túmulos do cemitério de Eyup num teleférico pareceu-nos uma ideia excelente para chegarmos ao café Pierre Loti. Apesar da chuva miudinha e da humidade, conseguimos ver as centenas de túmulos brancos entre ciprestes que constituem o que muitos chamam a colina dos mortos. Ao longe, ia aparecendo embaciado um dos perfis inconfundíveis de Istambul.

Pierre Loti está na sala principal: fotografias, textos, gravuras, recordam a presença do escritor e viajante que encontrava neste lugar ambiente para escrever. Imaginamo-lo à janela a olhar o Corno de Ouro que tem deste lugar uma das melhores perspectivas.

A cozinha onde se faz o chá integra a sala o que faz com que as brasas do samovar ajudem a tornar o ambiente mais aconchegante. Para além de chá, água e refrigerantes, só servem sandwiches, mas quem vai ao café Pierre Loti procura outras sensações: a macieza dos tecidos dos sofás, a textura das madeiras, os reflexos nos espelhos, o vidrado dos azulejos da cozinha, a cor do cobre e do latão do samovar, a luz pálida dos candelabros, a companhia de Loti e dos seus amigos. As conversas sussurradas em turco, naquele momento e naquele espaço, pareciam a música.

Perto de uma janela com vista para o mar, folheámos o livro Constantinople; alguns parágrafos justificavam leitura partilhada: “Há no mundo lugares mais grandiosos, com vegetação mais bela e montanhas mais altas. É nos detalhes íntimos, sem dúvida, que reside o encanto único do Bósforo”

Cá fora, debaixo das árvores, mesas e cadeiras em ferro sugeriam entardeceres memoráveis. Antes de descermos a colina pelos caminhos do cemitério, olhamos para a esplêndida esplanada e prometemo-nos voltar numa Primavera.

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Um Comentário a “O café Pierre Loti”

  1. uma viagem interessante a este café. apesar de ter imagens a retratá-lo, tentei fechar os olhos e imaginar o meu próprio café pierre loti. fez-me recordar lisboa por momentos… (: belíssimo blog, parabéns !

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