Arquivo da Categoria ‘A acontecer’

Ver e ouvir a Cristina em Istambul

Quarta-feira, 18 de Janeiro, 2012

Eram cerca das 21:00 e passeávamos na Avenida Istiklal que se mantinha cheia de gente em passo razoavelmente relaxado. As lojas ainda estavam abertas e os carrinhos de toldos às riscas vendiam castanhas quentes e milho assado. A multidão falante provoca um som morno, um burburinho colectivo que é manso.

De vez em quando ouve-se a campainha do eléctrico que nervosa e incisiva avisa que é preciso que se afastem dos carris. A multidão aparta-se sem pressas porque não acredita em atropelamentos naquele lugar que é propriedade dos peões.

De súbito, ouvimos uma música cantada em português. Procuramos de onde vinha o som e olhamos uma janela iluminada. Do alto do segundo andar, emoldurada por um florão  de pedra, a janela deixava ouvir o canto limpo da Cristina Branco que dizia: “sete gritos por gritar, sete silêncios viver, sete luas por brilhar e um céu para acontecer“.

Conhecíamos bem a letra da canção e, mesmo sem jeito, fizemos de coro cantando para a janela. Lembramo-nos que foi um amigo holandês que, há uns anos, nos deu a conhecer a Cristina já famosa na terra dele e quase desconhecida na nossa.

O destino dá muitas voltas e quando regressarmos a Istambul, entre 18 e 23 de Fevereiro com um grupo de portugueses, vamos poder ver e ouvir a Cristina ao vivo no auditório Cemal Reşit Rey Konser Salonu, no dia 22 à noite. Talvez a desconhecida janela com o seu florão apareça também.

 

Sete pedaços de vento AQUI

 

Arte Contemporânea em Istambul

Segunda-feira, 21 de Novembro, 2011

Cecilia-Paredes, Siren-in-the-sea-of-roses, 2011,Arthobler-Gallery,Oporto, Portugal

Entre os dias 24 e 27 de Novembro realiza-se em Istambul uma grande exposição de arte contemporânea onde estarão presentes cerca de 90 galerias de vinte países com trabalhos de pintura, escultura, vídeo, fotografia, instalações…

Os números impressionam: serão exibidos cerca de 3 000 trabalhos da autoria de 526 autores prevendo-se que a exposição seja visitada por mais de 60 000 pessoas e por cerca de 1 000 coleccionadores.

Portugal marcará presença através da Galeria ArtHobler do Porto que exporá trabalhos de Carlos No, Cecília Paredes (autora da primeira imagem deste post), Jakub NepraŠ, Josef Bolf, Robert Schad, Rómulo Celdrán e Sabhan Adam.

Informações sobre este evento podem ser consultadas AQUI

 

Istambul em Barcelos

Segunda-feira, 18 de Julho, 2011

Durante um mês, a cidade de Barcelos é atravessada por um conjunto de realizações que enquadram o projecto itinerante “A poesia fílmica e as artes plásticas”. Exposições, tertúlias, sessões de cinema-concerto, representações teatrais, apresentações de livros são algumas das manifestações deste projecto. Nesta primeira passagem, a Turquia é o país convidado.

É neste contexto que Istambul estará em Barcelos com a exposição Istambul, Roteiro da Melancolia. Acontece na Biblioteca Municipal com a inauguração no dia 20 pelas 18:00. Poderá ser visitada até ao dia 12.

 

Istambul dá-nos música!

Quinta-feira, 16 de Junho, 2011

A quantidade de festivais de música e a diversidade das suas expressões tornam Istambul uma das capitais da música nos meses de Junho e Julho. De entre as várias propostas destacamos apenas três: o Festival Internacional de Música de Istambul, o Festival Internacional de Tango e o Festival Internacional de Jazz. Mas há mais, muito mais. Decididamente: Istambul dá-nos música!

Festival Internacional de Música de Istambul


Os amantes da música clássica reconhecem a importância deste festival que se realiza desde 1973, organizado pela Fundação de Istambul para a Cultura e Artes. Ao longo dos 39 anos passaram pelos palcos de Istambul as mais famosas orquestras de todo o mundo.
Este ano, estão envolvidos mais de 500 artistas numa edição que decorre de 4 a 29 de Junho em vários locais: teatros, museus, mesquitas e também no Palácio Topkapi. O programa pode ser consultado AQUI

Festival Internacional de Tango

Já vai na 8ª edição o Festival Internacional de Tango de Istambul. Este ano, duas orquestras e seis DJs animarão sessões e milongas entre os dias 6 e 10 de Julho.
O filme de promoção que pode ver AQUI combina imagens da cidade com os arrebatados passos da dança sul-americana. “Let’s dance where the civilisations dance” é o slogan do festival.

Festival Internacional de Jazz

Este ano o festival começa com um tributo a Miles Davis por um quinteto que envolve verdadeiras lendas do jazz: Herbie Hancock no piano, Wayne Shorter no saxofone, Marcus Miller, Sean Jones no trompete e Sean Rickman na bateria.
Ao longo de quase 20 dias – de 1 a 19 de Julho – desfilarão pelos vários palcos desde as expressões mais clássicas do jazz aos projectos mais inovadores. No último dia é a vez de Paul Simon que canta pela primeira vez em Istambul. Para além dos êxitos mais conhecidos da sua carreira, com certeza que se ouvirão músicas do álbum So Beautiful or So What editado na Primavera.

O programa do festival pode ser consultado AQUI

Por debaixo da terra

Terça-feira, 24 de Maio, 2011

Um dos projectos mais desafiantes ao nível da engenharia é o projecto Marmaray (combinação das palavras Marmara e ray que em turco significa comboio). Este projecto que teve início em 2004 assegurará o transporte ininterrupto de 1 milhão de pessoas por dia, cobrindo 78 km de distância e unindo por debaixo da terra a Europa e a Ásia. O Bósforo será atravessado por um túnel de 14 km à prova de terramotos. No total, estão previstas 14 estações entre Halkali no lado europeu e Gebze no lado asiático.

Numa primeira previsão, a rede estaria pronta em 2012 mas os achados arqueológicos obrigam a constantes paragens. Entre as extraordinárias peças já encontradas contam-se ânforas, artefactos ligados a profissões e à vida quotidiana, esculturas e uma saca com nove crânios humanos que datarão de 6000 a.C. As escavações deram à luz o maior achado náutico do mundo dando a conhecer a primeira armada bizantina. A descoberta mais perturbante é a do Porto de Teodósio, o maior porto da cidade que teria sido submerso por um tsunami. De entre os vários navios recuperados de diferentes épocas históricas, destaca-se uma galera do início da Idade Média, peça única em todo o mundo.
Sugerimos o visionamento do documentário da National Geographic (4:47) onde se podem ver alguns trabalhos, alguns achados e imagens de Istambul. Entrar AQUI.

Festival de Cinema de Istambul

Quarta-feira, 6 de Abril, 2011

Durante duas semanas realiza-se o 30º Festival de Cinema de Istambul. Em sete salas distribuídas pela cidade há a oportunidade de ver 231 filmes, 50 dos quais são turcos.

Os organizadores dividiram os filmes em 21 temáticas de entre as quais se destacam “Os Direitos Humanos”, “Documentários”, “Jovens realizadores” e um ciclo intitulado “30 anos de cinema”. De entre os filmes turcos a exibir estão “Do Not Forget Me Istanbul” (constituído por seis peças realizadas por seis realizadores), ‘‘Love in Istanbul” (retoma histórias de amor vividas ao longo de séculos nos diferentes impérios) e o documentário de Erden Kiral, “Halic Golden Horn”.

O programa que se prolonga até ao dia 17 de Abril pode ser consultado AQUI

Mel em Portugal

Quarta-feira, 23 de Março, 2011

Mel é um filme do realizador turco Semih Klapanoglu que já ganhou vários prémios nos maiores festivais de cinema do mundo. Com interpretações de Bora Altas, Erdal Besikçioglu, Tülin Özen, o filme Mel (Bal em turco) ganhou o Urso de Ouro (Melhor Filme) Festival de Berlim 2010. Para os críticos do jornal Le Monde: «O cinema de Semih Klapanoglu apazigua, fascina, cresce.»

O filme relata a história de Yusuf que tem 6 anos. O pai é um apicultor que tem de subir às árvores da floresta para aceder às colmeias e recolher o mel. A floresta apresenta-se para a criança como um lugar de perigo mas ao mesmo tempo como um lugar fascinante e misterioso que o faz sonhar. Com o pai aprende a ler a natureza: os nomes dos pássaros, o cheiro e o sabor das flores, o espaço, o tempo… É um conhecimento diferente do recebido na escola onde as aprendizagens são outras e adquiridas de outro modo.

São vários os testemunhos sobre a beleza e qualidade do filme. Destacamos o comentário de Francisco Ferreira, no Expresso: “uma parábola da infância e dos seus segredos. Uma profissão de pura fé no poder da mise-en-scène. De uma beleza arrebatadora.”
[…] planos-sequência majestosos, uso exclusivo de luz natural. […] objectivamente, o filme é belo. Mas também solene. E sufocado de talento. Kaplanoglu falou dos valores da natureza, de toda uma cosmogonia inatacável e da influência de Vermeer…»

O filme estreia em Portugal, no Porto, nos cinemas Medeia no Teatro do Campo Alegre: de 24 a 30 Março, todos os dias às 18h30 e 22h (excepto 29 Março, só às 18h30). Esperamos que outras salas, noutras cidades acolham este filme.

Diálogo inter-religioso e intercultural

Quarta-feira, 16 de Março, 2011

No dia 18 de Março, sexta-feira, pelas 18:00, realiza-se no Salão Nobre da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, uma conferência subordinada ao tema “Inter-religious and Intercultural Dialogue between Christians and Muslims in Turkey”

O orador é o padre Thomas Michel doutorado pela Universidade de Chicago em estudos árabes e islâmicos. Desde 1981 que ocupa vários cargos que têm como centro o diálogo entre cristãos e muçulmanos. A partir de 2009, integra a comunidade jesuíta de Ancara, a única comunidade católica que intervém na cidade.
A sessão é aberta a todos os interessados.

Melancolias expostas

Domingo, 13 de Fevereiro, 2011

Inaugurámos no dia 11, na Cinemateca Portuguesa a exposição de fotografia Istambul-Lisboa Roteiros da Melancolia.
Istambul que fotografámos não é a Istambul dos seus habitantes, nem Lisboa de Kahveci é a Lisboa dos lisboetas. São as cidades como nós as sentimos e interpretamos partindo do que reconhecemos de comum que é a melancolia, a nostalgia. Transcrevemos o texto que acompanha a exposição que estará na Cinemateca até ao dia 31 de Março.

Sobre a melancolia das nossas cidades

Foram escritores e poetas que nos reuniram à volta de Istambul e de Lisboa e foi por eles e com eles que partimos à descoberta das cidades que não eram, então, nossas. Encontrámos semelhanças entre elas: os espelhos de água do Bósforo e do Tejo, os portos de partida e de chegada de barcos e navios, as colinas, os vestígios monumentais dos impérios perdidos, o branco dos mármores acinzentado pelo tempo, as casas apalaçadas… Guiados por Pamuk, reconhecemos em Istambul o hüzun, um termo próximo da melancolia: “ um sentimento interiorizado com orgulho e ao mesmo tempo partilhado por toda uma comunidade”.
Não é, portanto, um sentimento individual, não é a melancolia experimentada por uma pessoa, é do hüzun, da melancolia da cidade que se trata.

E foi essa nostalgia da cidade, essa Istambul de Pamuk, tão próxima da Lisboa de Fernando Pessoa que nos aproximou na procura de uma leitura íntima das duas cidades. Nelas, sentimos a melancolia em lugares habitados por pessoas: nos vapur e nos cacilheiros, nas estações de comboio, nas ombreiras das portas e janelas de fachadas decadentes, nos passos apressados de quem vai e vem do trabalho, nos vendedores dos mercados, nas filas de espera dos autocarros…

Parecia-nos que os versos de Rui Miguel Ribeiro sobre Lisboa, poderiam ser também sobre Istambul:
A solidão da tarde inicia o que Lisboa
traz de acantonado promontório
meios rostos em cadência de contra-luz
lonas lancetando o sol nas esplanadas,
amontoados de paredes, janelas e ferros
que descambam até ao Tejo
onde se afogam as vozes da cidade.

Foram os mapas sentimentais das cidades que fomos construindo que favoreceram o encontro das nossas fotografias. Percebemos, então melhor por que razão Asli, personagem de uma obra de Ítalo Calvino, afirma: “Apesar de ser a primeira vez em Lisboa, sinto que já conheço esta rua, sei onde vai dar porque já estou em Istambul”.


Foi a melancolia, o hüzun que procuramos registar nas nossas fotografias a preto e branco. As duas cores e os cinzentos que as medeiam são as que melhor condizem com o sentimento de tristeza, de nostalgia que se pressente nas duas cidades. Concordamos com Ahmet Rasim quando afirma: “A beleza de uma paisagem reside na sua melancolia”.

Istambul é uma cidade bela,
Lisboa é uma cidade bela.

Manuela Matos Monteiro/ João Lafuente/ Mühenna Kahveci

Roteiros da melancolia

Domingo, 6 de Fevereiro, 2011

Vamos fazer uma exposição de fotografia Istambul – Lisboa Roteiros da Melancolia em que nós e o fotojornalista turco Mühenna Kahveci procuraremos mostrar o que, na nossa opinião, liga as duas cidades: a melancolia, o hüzun no dizer de Pamuk.

O lugar onde expomos esta melancolia é o Espaço 39 Degraus na Cinemateca Portuguesa e a inauguração acontece no dia 11 de Fevereiro pelas 18:30. Por lá fica até 31 de Março.

Mas o dia da inauguração é especial: a Associação Luso-Turca oferecerá chá e deliciosos lokum e a Turkish Airlines oferece um voucher de 10% desconto nas viagens para a Turquia. Acreditem que o chá e os lokum sabem muito melhor no seu país de origem!

Deixamos aqui duas fotografias da exposição, uma de Istambul e outra de Lisboa. Escondidos mas acessíveis os três fotógrafos apresentam, em “saber mais”, alguns aspectos do que têm andado a fazer.

Já a seguir, pode então saber um pouco mais sobre os autores.

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