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Com os pés no lado asiático de Istambul

Quinta-feira, 15 de Março, 2012

 

Geralmente, a maior parte dos viajantes que visitam Istambul ficam fascinados pelo lado europeu da cidade limitando-se apenas ao avistamento do lado asiático que brilha ao longe iluminado pelos reflexos do Mar de Mármara.  Quem não põe os pés na outra banda não sabe o que perde!

A viagem de ferry  dura 20 minutos e vale por si: Istambul que se afasta, os contentores e guindastes do porto do lado asiático animam-se com os mergulhões, as gaivotas perseguem o pão atirado dos decks, os vapurs navegam em todas as direções …

É com alguma emoção que se pisa a antiga península da Anatólia que conhecemos da História. Os vestígios da fixação humana são mais antigos do que de qualquer parte da Europa. A primeira cidade grega (Calcedónia, atualmente Kadikoy) foi fundada em 675 aC, dezassete anos antes de Bizâncio. Não há muitos vestígios do passado porque devido à situação geográfica esta zona foi devastada por guerras frequentes.

Saímos no porto de Kadikoy que, juntamente com Uskudar, é uma das zonas mais desenvolvidas e com intensa atividade comercial. Desde cedo, na viagem de ferry, vemos um edifício imponente, a estação de Haydarpasa, que parece “deslocado” do ambiente: o estilo é neo-clássico, obra dos arquitetos alemães Otto Ritter e Helmut Conu que foi oferecido pelo imperador alemão Wihelm (1909).

A zona junto à estação tem pouco edificado porque grande parte pertence ao exército. Numa das alas de um dos quartéis, há um museu dedicado a Florence Nightingale que só pode ser visitado com marcação. Foi aqui que a enfermeira Florence desenvolveu a sua importante atividade junto de soldados britânicos, franceses e turcos feridos durante a guerra da Crimeia.

Percebemos que o lado de lá de Istambul é diferente antes de mais porque há poucos turistas nas ruas com um intenso movimento de pessoas que entram e saem das lojas. Mas tal como nas outras zonas de Istambul, os seus habitantes reservam momentos do dia para sós ou acompanhados olharem as águas e os céus que banham e envolvem a cidade. É esta atitude de contemplação que nos questiona. O que é que esses olhares privilegiam? O espelho de água, o movimento intenso das embarcações, as gaivotas, os céus limpos ou enevoados, o perfil do outro lado da cidade? Ou olham para dentro de si mesmos?

Quando voltarmos a Istambul, sentar- nos-emos num banco de qualquer margem, olharemos o horizonte e esperaremos que esse estado nos proporcione a contemplação que a cidade inspira.