Arquivo do mês de Agosto, 2011

Istambul, a cidade de muitos nomes

Quarta-feira, 17 de Agosto, 2011

 

Istambul já se chamou Bizâncio e já foi Constantinopla. A mudança de nome corresponde a etapas políticas e sociais. Comecemos, então, pelo princípio: Bizâncio, a primeira designação da cidade fundada em 667 a.C, tem origem no nome do rei dos primeiros colonos, Bizas. Em 330, o imperador Constantino designa-a a capital oriental do império romano, dando-lhe o nome de Nova Roma, mas acabou por ser mais conhecida por Constantinopla, a cidade de Constantino, passando a ser esse o nome oficial por determinação de Teodósio II.

O nome Istambul, que derivará do termo grego “para a Cidade” ou “na Cidade” (em grego antigo εἰς τήν Πόλιν, (i)stimboli(n)), era usado desde o século X, mas só passa a assumir oficialmente esta designação na década de 30 do século XX, no âmbito da reestruturação postal integrada nas grandes reformas levadas a cabo por Ataturk.

Muito haveria a escrever sobre os inúmeros epítetos atribuídos à cidade, como, por exemplo, a “Entrada para a Felicidade”, o “Olho do Mundo”, a “Casa do Estado”, o “Refúgio do Universo”, a “Polis” ou, simplesmente, “a Cidade” …mas preferimos passar AQUI a divertida canção “Istanbul (Not Constantinople)”, na versão dos “Four Lads”( 1953)  num espectáculo de 2004.  Os 4 Lads estão velhinhos mas a versão da canção mantém a mesma frescura e graça.

O original bem swingado é de finais da década de 20, em que Bing Crosby canta com Ella Fitzgerald e Peggy Lee (vale a pena uma visita AQUI).  Caterina Valente canta uma versão bem jazzística da música de Nat Simon e letra de Jimmy Kennedy. A ouvir também AQUI e … acreditem que vale a pena ouvir mais versões numa pesquisa pelo Youtube!

 

Istambul é uma cidade segura?

Sábado, 6 de Agosto, 2011

Uma das questões que um viajante coloca sempre é se o lugar para onde viaja é seguro. Preocupa-se sobretudo quando se trata de uma grande cidade ou se o destino se enquadra numa cultura diferente da sua. Assim, é natural que uma das perguntas que nos colocam frequentemente seja: “Istambul é uma cidade segura?” A resposta imediata que damos é que é! E aqui importa distinguir segurança de sentimento de segurança. Acontece que vários estudos apontam que é frequente o sentimento de insegurança dos habitantes de uma cidade ser desproporcionado se relacionado com os índices de criminalidade efectivos dessa cidade.

Sobre Istambul, a informação que colhemos nos guias impressos, em testemunhos de habitantes da cidade, turistas e em relatórios de várias origens, é que se trata uma cidade segura com baixos níveis de criminalidade e agressividade. Pessoalmente, o que podemos testemunhar, é que partilhámos sempre de um real sentimento de segurança e conforto sempre que nos deslocámos na cidade. Saímos sempre à noite, percorrendo muitas vezes estreitas ruas secundárias com pouco movimento e nunca experimentámos o sentimento de medo, nem sequer receio, apesar de andarmos sempre com o material fotográfico. Claro que nos sítios com uma maior concentração de pessoas como, por exemplo, nos bazares e em Istiklal justifica-se o cuidado normal com as carteiras para não tentarmos eventuais carteiristas.

Fomos levadinhos!

Não vem a propósito do tema mas não resistimos a contar como fomos levadinhos pelo conto do vigário: um turco com cerca de 30 anos veio ter connosco quando passeávamos em Istiklal e pediu-nos para trocarmos euros (moedas) por notas dado que os bancos não trocam moedas. É um pedido frequente feito por guias ou outras pessoas ligadas ao turismo em países fora da zona euro que recebem gorjetas em moedas. Como íamos com pressa, negámos o pedido. Quando estávamos diante da fachada da Igreja de Santo António, o mesmo indivíduo acompanhado de um outro voltou a fazer o pedido com mais veemência. Como temos coração mole e achávamos a solicitação legítima, dispusemo-nos a trocar uma nota de 20 € por moedas que foram contadas e recontadas à nossa frente. Perguntaram-nos se não queríamos conferir … nem pensar porque as contas estavam evidentemente bem feitas. Como agradecimento, ofereceram-nos um guia da cidade o que nos deu muita satisfação!

Bom, a maior parte das moedas eram turcas (muito semelhantes a 2 € mas de valor muito inferior) e portanto, fomos levadinhos com todo o profissionalismo. Relevamos o incidente, considerando que o espectáculo malabarista tinha valido a pena apesar de carote. Aqui fica o conselho: não troquem moedas de euro por notas, sobretudo sob o olhar de Santo António: afinal, ele é o padroeiro dos comerciantes e os dois turcos fizeram um bom negócio!