Arquivo do mês de Novembro, 2010

Cemitérios

Segunda-feira, 22 de Novembro, 2010

Confessamos que gostamos de cemitérios. Mesmo antes de serem descobertos como espaços a explorar do ponto de vista turístico, visitámos cemitérios porque são lugares onde se manifesta a cultura de um povo, onde se compreende a relação entre os vivos e os mortos e onde a arte e a natureza se misturam de uma forma muito particular.

São quatro os cemitérios que mais nos marcaram: Père-Lachaise (para muitos, o lugar mais romântico de Paris), o cemitério de Cólon em Havana (com uma monumental estatuária), o cemitério de Swokopmund  na Namíbia (onde o apartheid se mantém após a morte) e o cemitério de Eyüp em Istambul. Deixamos para um outro post a visita a este lugar. O que nos marcou em Istambul foi a forma como os vivos convivem nos cemitérios no centro da cidade. É disso que vamos falar.

Um cemitério turco é uma floresta de colunas de mármore branco de diferentes alturas. Em princípio o tamanho da coluna corresponde ao tamanho real do morto ainda que haja excepções: o estatuto social elevado pode elevar o tamanho da coluna atingindo, no caso de alguns sultões, dimensões não humanas. As colunas que terminam num turbante sinalizam um túmulo masculino; os florões estão reservados às mulheres. Das inscrições incompreensíveis gravadas no mármore só retiramos o efeito estético. Passeámos sem reservas por entre a floresta de túmulos e árvores usufruindo do efeito da mistura das formas e das cores branco e verde.

Mas há muito mais: quando há 12 anos visitámos pela primeira vez a cidade, tivemos uma experiência que nos espantou no sentido literal do termo: em pleno cemitério havia uma casa de chá com uma agradável esplanada. Sentamo-nos numa mesa entre turcos que cavaqueavam vidas (achámos nós!) e pedimos um café e um chá de menta.

Renovámos esta experiência que nos trouxe de novo o sentimento único da relação entre viver e morrer. De facto, nunca convivemos desta maneira num lugar onde, geralmente, domina apenas o silêncio e o recolhimento. Não seria preciso mais para estes cemitérios nos marcarem. Por isso, voltaremos a trazer aqui estes lugares.

Na cozinha

Quarta-feira, 10 de Novembro, 2010

Descobrimos a beringela quando estivemos em Istambul há mais de 10 anos. Não se pode esquecer a gastronomia de um país que nos dá a conhecer o legume espelhado de cor e forma únicas. Tal como os portugueses, os turcos gostam de comer e de falar de comida. E muito há a dizer sobre o lugar do iogurte, das beringelas, do borrego e de tantas aromáticas especiarias. Lá chegaremos!

Para apreciar totalmente uma gastronomia não basta desfrutá-la: é preciso saber confeccionar pelo menos alguns dos seus pratos para podermos saborear melhor os seus segredos. Foi este espírito que nos levou a participar no workshop realizado no dia 6 na sede da Associação de Amizade Luso-Turca no Porto.

A orientadora da função culinária é uma jovem turca – Rukyie – que vive em Portugal há quase 6 anos e que com o seu marido gere o restaurante Istambul (Rua Entreparedes, Porto). Propôs-nos cozinhar uma sopa e “borek”de espinafres (o Google Tradutor não sugere tradução para o termo). Comecemos pelos borek que os turcos comem ao pequeno-almoço com chá, como entrada de uma refeição, ao lanche … enfim, todas as alturas são boas para comer borek. Mas passemos à acção.

Prepara-se a massa com farinha, água, sal e fermento de padeiro que repousa meia hora para levedar. Divide-se a massa em bolas que se estendem com um rolo formando círculos que são barrados generosamente com manteiga deixando-se repousar mais 5 minutos.

Prepara-se o recheio com espinafres cortados às tiras, queijo feta desfeito grosseiramente com as mãos e cebola picada. Mistura-se tudo muito bem.

Estende-se a massa num pano tornando-a o mais fina possível e espalha-se o recheio Enrola-se a massa sobre si mesma levantando o pano.

Formam-se espirais e levam-se ao forno num tabuleiro depois de pincelar a superfície com ovo. Retira-se quando a massa estiver dourada e estaladiça.

Gostamos dos borek crocantes com o seu recheio quente e o queijo feta fundido. Cabe experimentar os boreks frios que, no dizer de Rukyie, é a forma mais saborosa de comer estes rolos dourados. Passámos de seguida a confeccionar uma sopa (Tarhana Gorbasi), boa em qualquer época do ano mas especialmente reconfortante em dias de frio. No dia a seguir, fomos almoçar ao restaurante de Rukiye onde experimentámos algumas das especialidades turcas mais apreciadas pelos portugueses.

Segue-se a receita da sopa e algumas informações sobre o restaurante. Bom apetite, que é como quem diz: Afiyet olsun!

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