Banhos turcos

Propuseram-nos uma ida aos banhos turcos a marcar para o penúltimo dia da nossa estadia. Aceitámos logo, associando a experiência a calor, muito calor, humidade, e vapor de água. Antecipámos com prazer a moleza confortável que habitualmente se instala depois de uma estadia na neblina quente.

Sabíamos que um dos “1000 Lugares para Conhecer antes de Morrer” propostos pela jornalista Patrícia Schulz era o haman - termo turco para banho a vapor – Cagaloglu. As fotografias que vimos mostravam um espaço monumental que não reconhecíamos na zona indicada pelo recepcionista do hotel. Foi preciso “tropeçarmos” com o nome escrito no mármore do passeio para identificarmos a entrada deste haman construído em 1741. A entrada encaixada entre lojas passa completamente despercebida …

Mas bastou descer alguns degraus para percebermos que para além daquelas portas o mundo era outro.

O dia marcado para os banhos tinha sido de caminhada e experiências intensas e o corpo pedia descanso e relaxamento. A proposta recaiu nos banhos da praça Cemberlitas junto do Grande Bazar e dos mais famosos monumentos de Istambul.

Aliás, o espaço é considerado um “monumento” construído em 1584 pelo famoso arquitecto Mimar Sinan e que se mantém activo desde a sua construção.

A entrada ainda é mais modesta do que a do haman Cagaloglu, diríamos que até manifesta um razoável mau gosto! Mal entrámos, fomos encaminhados para áreas distintas mas muito semelhantes: a zona dos banhos para homens e para mulheres e os respectivos vestiários. As mulheres, depois de vestida a parte de baixo de um biquíni, enrolaram à volta do peito o “pestemal“, uma toalha grande de algodão com franjas, calçaram umas chinelas e dirigiram-se para a grande sala dos banhos. E aí percebe-se por que razão se pode classificar o espaço de monumento: na grande sala redonda, o chão, a plataforma central, as paredes, as galerias laterais são de mármore de um bege macio. Uma abóbada majestosa cobre a principal sala dos banhos. Dizem que durante o dia jorros de luz provenientes das aberturas da abóbada desenham cones brilhantes por entre os vapores de água.

Depois de colocado o pestemal sobre a plataforma central aquecida cada uma de nós deixou de ser dona do seu corpo: as assistentes com uma “kese” – luva feita de tecido rugoso – ensaboaram-nos, lavaram-nos e literalmente esfoliaram-nos da cabeça aos pés. Depois deram-nos a mão e fomos para uma galeria lateral onde jorraram água em abundância para retirar a espuma. Regressadas à plataforma deitamo-nos e não fora o barulho das conversas do grupo de espanholas e italianas e o momento seria perfeito. Num esforço de abstracção, favorecido pela imagem da cúpula monumental, pensámos nos milhares de mulheres que ao longo de mais de 400 anos, ali, deitadas deixaram que os seus pensamentos e sonhos transpusessem as fronteiras do haman.

AQUI pode-se acompanhar o repórter da BBC Michael Palin numa experiência no haman Cagaloglu.

Registo no passeio da rua do haman Cagaloglu.  AQUI pode fazer uma viagem virtual neste haman.

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3 Comentários a “Banhos turcos”

  1. lurdes diz:

    tive essa experiência nos banhos da praça Cemberlitas com a vantagem de apenas estarem sob a majestosa abóbada apenas 4 mulheres. Observar a luz a entrar pelas aberturas foi um momento mágico!!!

  2. istambul5dias diz:

    Inveja, é o mínimo que se pode sentir! Resta pensar que num regresso à cidade e aos banhos turcos se possa usufruir desse privilégio.

  3. Vitor Amorim diz:

    Só tenho uma palavra “Maravilhoso”.

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