O Bósforo

Foi através do diário2.com que soubemos que, no dia 14 de Junho, a página mais editada na Wikipedia foi Bósforo com 62 edições. Desconhecemos a causa deste interesse pelo estreito que marca o limite entre a Ásia e a Europa.

Em turco, Bósforo diz-se Bogaz que significa garganta. Ficamos, entretanto, a saber que Bósforo etimologicamente significa “passagem do boi” (de Βοῦς – boi  e πόρος – passagem) e mais uma vez é a mitologia grega que lhe associa uma narrativa. Zeus apaixonou-se por Io, sacerdotisa de Hera, e, para proteger a sua amada da fúria da sua mulher, o deus dos deuses transforma Io num boi. Apesar disso, Hera descobre tudo, persegue-a e, na sua fuga, Io atravessa a nado o estreito que liga o Mar de Mármara ao Mar Negro. A história ficou e o nome também.

Uma das experiências que dá a conhecer uma imagem única de Istambul é atravessar o Bósforo num vapur das linhas urbanas, o ferry usado pelos istambulenses nas suas constantes travessias de uma margem para outra.

Depois de termos comprado o bilhete na gare, atravessámos as zonas cobertas do vapur. São espaços confortáveis com amplas janelas para o exterior mas optámos pelo deck descoberto. O vento proyaz vindo do Mar Negro era frio de verdade, mas queríamos o contacto mais directo possível com o mar, as gaivotas e, sobretudo, com a cidade de ambos os lados.

Pamuk no seu livro Istambul – Memórias de uma cidade, no capítulo 6 Descoberta do Bósforo, recorda os passeios de barco que fazia na sua infância com Istambul desfilando à sua frente. E faz questão em esclarecer que “Esta massa de água que passa no coração da  cidade não pode em caso algum ser comparada com os canais de Amesterdão ou de Veneza, nem com os rios que sulcam Paris ou Roma: aqui há corrente, vento, profundeza, trevas”. Pelas suas palavras percebemos que a luz do Bósforo nas diferentes estações do ano transfigura a própria cidade. “O Bósforo é dotado de um espírito muito singular” .

Pamuk termina este capítulo dizendo: “A vida não pode ser assim tão má. Seja como for, afinal de contas podemos sempre ir dar um passeio para os lados do Bósforo”.

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8 Comentários a “O Bósforo”

  1. Luís Teixeira Neves diz:

    Descobri Istambul e o Bósforo a primeira vez na Livraria Buchholz e não digo que tenha ficado apaixonado, mas…
    Durante milénios por aqui passou a civilização em direcção à Europa…

  2. Joao T. diz:

    Estive em Istambul há menos de um mês. Não fiz a travessia do Bósforo, mas hei-de fazer da próxima vez que lá voltar. E quero lá voltar muitas vezes… Agora vou ver se consigo comprar o livro de Pamuk. Teşekkür pelo vosso blog.

  3. istambul5dias diz:

    Ora aí está uma boa razão para regressar a Istambul!
    De facto é uma experiência muito forte, portanto, a ser vivida numa estadia na cidade. Da primeira vez, há mais de 10 anos, cometemos o erro de ir num “cruzeiro” para turistas. Gostámos, mas não se compara a uma viagem de ferry. Aliás, deve-se fazer mais do que uma saindo de quando em vez e explorando diferentes zonas da cidade a partir do Bósforo. Da próxima vez, vamos experimentar uma viagem mais detalhada a bordo de pequenos barcos a motor que navegam bem perto da costa. Pode-se negociar o trajecto e o tempo da viagem.
    Pamuk fala destes passeios no livro que aconselhamos vivamente.
    Continue a acompanhar-nos e a comentar. Se está no facebook partilhe fotografias e experiências no grupo Lá & Cá – Turquia & Portugal.
    Teşekkür pela sua participação.

  4. Joao T. diz:

    Já encomendei o livro de Pamuk… Claro que vou continuar a acompanhar-vos. Nos (poucos) dias em que estive em Istambul, não me meti em nada para turistas. Se calhar foi por isso que fiquei tão “agarrado” à cidade. Houve umas sardinhas fritas que comemos numa barraca de venda de peixe, mesmo à beira da água, das muitas que há do lado de lá da ponte Gálata. O sítio era tudo menos para turistas, não sei como tivemos aquele “feeling” de entrar, mas a alma daquela gente que as pescava e fritava era quase gêmea da nossa… que vontade de voltar aquele lugar! E sardinhas em Turco que é quase também em Português… Mas para quem quiser visitar a Turquia e puder sair de Istambul sugiro que apanhe um avião e visite as não-turísticas Gaziantep, Kilis e Antakya. Aí é que aprendemos que o que pensamos que sabemos tem tão pouco de verdade…

  5. Maria Brito diz:

    Visita assidua de Istambul, fiz uma dessa viagens num ferry turco e para turcos!! pelas margens do Bósforo recolhendo imagens magnificas de casas à beira Bósforo! Foi maravilhoso e realmente é o Bósforo que dá aquela luminosidade muito especial a Istambul!!!

    e como é bela Istambul vista do Bósforo ao pôr do sol com o magnifico astro a pôr-se no Corno Dourado (ligação do Mar Marmara ao Mar Negro)…

    Pode-se apanhar um desses ferrys a sair na outra margem e visitar Ortakoy!!

    Se forem a Istambul, na parte nascente da Mesquita Azul, encontram o Arasta Bazaar e na loja Capadócia encontram o Ahmet Okay e o Erol donos da loja, onde podem falar com o Ahmet o perfeito português…
    é uma loja com vários artigos de artesanato turco e serão recebidos muito bem, como aliás é norma!!!

    boa viagem e boa estadia!!!

    (João: obrigada pela dica… realmente é sempre melhor conhecer primeiro e depois…)

  6. joao novais alves diz:

    Ainda não conheço Istambul.
    Apenas conheço”" oSul e oCentro da Turquia. Fiquei totalmente fascinado com a gente, com as belezas do país, da sua História e da riqueza do seu património. Gostei tanto, que leio tudo o que me aparece sobre esse País.
    Não percebo como este País não tem ainda luz verde para entrar na U:E., mas isto é outro assunto.
    conclusão: hei-de ir aIstambul

  7. olá,

    o vento frio que sopra no Bósforo durante o inverno vindo do nordeste é o – Poyraz.

    calculo que houve dedos atropelando palavras no teclado, tb. me acontece.

    gosto muito do seu blog; parabéns, e continue a partilhar as suas impressões pessoais sobre a mais bela cidade do mundo – connosco!

  8. Roberto Cerqueira Moraes diz:

    Quando criança, ficava encantado com as histórias que lia e ouvia a respeito de Istambul (Constantinopla). Jamais pensei em conhecer aquela maravilhosa cidade e o seu povo, muito alegre e simpático.
    Estive por lá, juntamente com minha esposa e filhas, no ano de 2011. Fiquei muito feliz. Vale muito a pena conhecer e fazer todos os passeios possíveis, principalmente pelo estreito de Bósforo, tanto durante o dia quanto à noite.
    Tudo é muito bonito, desde os bazares às famosas mesquitas, em especial, a Azul.
    Espero, dentro em breve, poder voltar por lá.

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