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O Bósforo

Terça-feira, 15 de Junho, 2010

Foi através do diário2.com que soubemos que, no dia 14 de Junho, a página mais editada na Wikipedia foi Bósforo com 62 edições. Desconhecemos a causa deste interesse pelo estreito que marca o limite entre a Ásia e a Europa.

Em turco, Bósforo diz-se Bogaz que significa garganta. Ficamos, entretanto, a saber que Bósforo etimologicamente significa “passagem do boi” (de Βοῦς – boi  e πόρος – passagem) e mais uma vez é a mitologia grega que lhe associa uma narrativa. Zeus apaixonou-se por Io, sacerdotisa de Hera, e, para proteger a sua amada da fúria da sua mulher, o deus dos deuses transforma Io num boi. Apesar disso, Hera descobre tudo, persegue-a e, na sua fuga, Io atravessa a nado o estreito que liga o Mar de Mármara ao Mar Negro. A história ficou e o nome também.

Uma das experiências que dá a conhecer uma imagem única de Istambul é atravessar o Bósforo num vapur das linhas urbanas, o ferry usado pelos istambulenses nas suas constantes travessias de uma margem para outra.

Depois de termos comprado o bilhete na gare, atravessámos as zonas cobertas do vapur. São espaços confortáveis com amplas janelas para o exterior mas optámos pelo deck descoberto. O vento proyaz vindo do Mar Negro era frio de verdade, mas queríamos o contacto mais directo possível com o mar, as gaivotas e, sobretudo, com a cidade de ambos os lados.

Pamuk no seu livro Istambul – Memórias de uma cidade, no capítulo 6 Descoberta do Bósforo, recorda os passeios de barco que fazia na sua infância com Istambul desfilando à sua frente. E faz questão em esclarecer que “Esta massa de água que passa no coração da  cidade não pode em caso algum ser comparada com os canais de Amesterdão ou de Veneza, nem com os rios que sulcam Paris ou Roma: aqui há corrente, vento, profundeza, trevas”. Pelas suas palavras percebemos que a luz do Bósforo nas diferentes estações do ano transfigura a própria cidade. “O Bósforo é dotado de um espírito muito singular” .

Pamuk termina este capítulo dizendo: “A vida não pode ser assim tão má. Seja como for, afinal de contas podemos sempre ir dar um passeio para os lados do Bósforo”.

O lugar

Segunda-feira, 17 de Maio, 2010

Desde o primeiro post declarámos o nosso investimento afectivo em Istambul que marca necessariamente o modo como vivemos a cidade e como a contamos. Assumimos, desde logo, que os sentimentos e as emoções afectam os nossos textos e as nossas fotografias. Num exercício de objectividade procuramos na Wikipedia a descrição da sua geografia e recolhemos uma imagem de satélite.

Diz a Wikipedia que a cidade de Istambul está dividida em duas partes pelo Bósforo que é o estreito que liga o Mar da Mármara com o Mar Negro. Uma parte da cidade fica na Europa e outra na Ásia tornando Istambul na única cidade do mundo que está situada em dois continentes.

Chama-se Corno Dourado à entrada do Bósforo que divide a cidade e que forma um porto natural que abrigou barcos gregos, romanos, bizantinos e otomanos durante milhares de anos. É um estuário com a forma de uma cimitarra que liga o Bósforo precisamente no ponto em que o estreito entra no mar da Mármara.

Ao vermos a imagem de satélite de Istambul e ao lermos a descrição geográfica da cidade compreendemos que afinal as nossas fotografias e os nossos textos não são tão “suspeitos” como pensávamos.